Hospital IOP, em Palmas, faz cirurgia inédita no Tocantins contra Parkinson

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Neste ano de 2022, o Hospital IOP, em Palmas (TO), entrou para a história da Medicina de Tocantins, ao realizar pela primeira vez no Estado cirurgia para o tratamento do Mal de Parkinson. Os procedimentos são conhecidos como Estimulação Cerebral Profunda (no inglês, _Deep Brain Stimulation_, DBS), consistem no implante de um pequeno eletrodo no cérebro, apelidado de “Marcapasso Cerebral”, e ocorreram nos dias 3 e 4 de fevereiro.

Os trabalhos foram conduzidos pelos médicos Ledismar José da Silva e Pedro Henrique Essado Maya. O tempo aproximado foi de oito horas em cada cirurgia.

Neurocirugião com área de atuação em dor, espasticidade epilepsia e distúrbios dos movimentos, o Dr. Ledismar possui graduação pela Faculdade de Medicina de Vassouras (RJ), é especialista em Neurocirurgia e Mestre em Gerontologia. Ele fala sobre os resultados:

O que nós esperamos como resultado desse tratamento cirúrgico é que os pacientes tenham uma melhor qualidade de vida. Que eles melhorem os tremores, a rigidez. É uma cirurgia bastante eficaz no controle dos sintomas da doença de Parkinson. E foi um sucesso, e eles vão ter grandes melhoras na qualidade de vida. Estamos muito satisfeitos.”

Aos 68 anos, o lavrador Juvenal Alves da Silva foi o primeiro paciente a receber o Marcapasso Cerebral. Morador de Miranorte (TO), há 12 anos ele desenvolveu o Mal de Parkinson. Devido aos intensos tremores, sua coordenação motora estava cada vez mais comprometida e a medicação já não surtia mais o efeito desejado.

Ao lado da esposa, Cleusa Garcia, Juvenal é pai de três filhos. Ela relata como ele está:

O aparelho foi implantando, mas ainda está desligado, pois leva por volta de três semanas para que ele possa ser acionado. Mas os tremores diminuíram e os movimentos do meu marido já melhoraram. A expectativa é de mais melhoras ainda.”

O Dr. Pedro Henrique Essado Maya explica sobre o efeito imediato da cirurgia:

Os pacientes já começam a ter o benefício no momento da cirurgia, quando nós fazemos os testes. E eles então já apresentam melhoras imediatas, nos tremores, na rigidez.”

O bombeiro militar Manoel Ricardo Alves Costa, de 48 anos, foi segundo o paciente a ser operado. Ele e a esposa Valdine são pais de dois filhos, Haylana Sharon e Davi Ricardo, e avós de Henrique Manoel. O diagnóstico do Parkinson saiu no ano de 2018. Desde então, com o passar dos dias, os movimentos dele ficaram rígidos e lentos. Manoel ainda sofria com dores, perda parcial do paladar, irritabilidade, imunidade baixa e dificuldades para comer.

“A doença limitou em muito a vida, e trouxe até mesmo um quadro de isolamento social, agravando para um quadro depressivo”, relata Valdine. “Esperamos que a cirurgia melhore na qualidade de vida do meu marido. Ele espera voltar à prática de esportes, voltar a ter vida social, um convívio melhor com a família, e também retomar os estudos”, diz a esposa.

 

O que é o DBS

A Estimulação Cerebral Profunda é uma técnica cirúrgica de tratamento de doenças psiquiátricas e neurológicas como Parkinson, Distonia, Tremor Essencial e até mesmo depressão. Na neurologia, a Estimulação Cerebral Profunda é utilizada principalmente para tratar distúrbios do movimento.

Trata-se de uma cirurgia em que é implantado um pequeno eletrodo no cérebro para estimular regiões específicas, por meio de disparos de corrente elétrica. A técnica também é conhecida como “Implante de Marcapasso Cerebral” ou “Neuromodulação”, e tornou-se famosa como a “Cirurgia para Doença de Parkinson”.

Na Doença de Parkinson, o DBS é indicado para conter vários sintomas, como tremores não controlados com as medicações; flutuações como rigidez, lentidão dos movimentos e dificuldade para andar por encurtamento do efeito dos remédios; movimentos involuntários causados pelas medicações (discinesias) e intolerância aos medicamentos.

É importante ressaltar que a cirurgia nem sempre cura as doenças contra as quais é utilizada. No entanto, os pacientes têm uma taxa de melhora clínica entre 60% e 80%. Essa melhora oferece maior independência, funcionalidade e dignidade para a vida da pessoa. O procedimento pode ser realizada em todas as faixas etárias acima dos 8 anos de idade. Para pessoas com idade menor que 18 anos é necessário o consentimento dos pais.

 

Confira o vídeo:

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